Luz natural no escritório e qualidade de vida: Existe relação?

Estudo revela que há uma associação direta entre a exposição à luz solar no local de trabalho e um melhor e mais prolongado sono dos trabalhadores.

13-09-2016
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O bom ambiente no local de trabalho contribui para o bem-estar e produtividade dos colaboradores. E em relação à iluminação? A existência (ou não) de luz natural tem algum impacto sobre nós quando trabalhamos? Essa foi uma das questões a que um estudo das universidades norte-americanas Northwestern Medicine e Illinois, que avaliou 49 trabalhadores, 27 escritórios sem luz natural e 22 com janelas, procurou responder.

Os dados recolhidos permitiram que os investigadores concluíssem que os trabalhadores em escritórios com maior exposição solar desfrutam de mais e melhor sono, praticam mais atividade física e têm uma melhor qualidade de vida. Isto quando comparado com os trabalhadores menos expostos à luz solar nos seus ambientes de trabalho.

Os profissionais que trabalhem junto a uma janela recebem mais 173% de luz solar durante o seu horário de trabalho e, com isso, dormem, em média, mais 46 minutos por noite do que os trabalhadores que não têm acesso a luz solar natural. O estudo refere igualmente que os trabalhadores de escritórios com janelas tendem a ter mais atividade física.

Phyllis Zee, neurologista, especialista em sono e um dos autores do estudo, refere que as evidências apontam para que a exposição à luz natural, principalmente durante a manhã, é benéfica à saúde, afetando o humor, o estado de alerta e o metabolismo das pessoas.

Para os investigadores, o estudo evidencia a importância do desenho arquitetónico nos ambientes corporativos. Os responsáveis pelo projeto (arquitetos) têm de dar atenção a algo simples, mas de extrema importância aquando do desenho do mesmo: a exposição à luz natural! Não apenas pelo potencial de poupança de energia, mas também pelo efeito que tem na saúde dos ocupantes dos edifícios que eles concebem.

As conclusões deste estudo corroboram as de um outro, realizado entre agosto de 2014 e julho de 2015, pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, no Brasil, que realizou pesquisas na Stockholm University, na Suécia, onde estudou o sono e os sintomas depressivos de trabalhadores brasileiros e suecos. A conclusão foi a de que a baixa exposição à luz natural está associada à redução de sono e à ocorrência de depressões nos trabalhadores.

Sensivelmente no mesmo período, mas no Rio Grande do Sul, 3 investigadoras avaliaram, durante 5 anos, 20 mulheres com idades entre os 18 e os 60 anos, durante o dia, num grande hospital da região. A metodologia foi simples: metade trabalhava junto a janelas e a outra metade em ambientes apenas com luz artificial. Os resultados indicaram que a falta de luz solar alterou o metabolismo das voluntárias. Mudança que foi relacionada com a possibilidade de distúrbios psiquiátricos, sintomas depressivos e uma deterioração na qualidade do sono.

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