Retalho sob pressão nos maiores mercados mundiais

Estados Unidos, Brasil ou China são o target de muitas empresas portuguesas, apostadas na exportação de produtos para o consumidor final. Mas, o que podem esperar em 2017 e 2018 nesses grandes mercados?

10-10-2017
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As intensas guerras de preços esgotaram financeiramente os retalhistas tradicionais, reforçando a urgência de novos modelos de negócio. Por outro lado, a omnipresença nos canais, os custos da presença online e a mobilidade são os principais desafios para os retalhistas, que se vêem “a abraços” com a demanda de nativos digitais e plataformas digitais.

Eis, em traços gerais, como está o setor do retalho a nível mundial, que se encontra num ponto de viragem. Muitos retalhistas tradicionais enfrentam a urgência de repensar os seus modelos de negócio. Nos próximos anos, os retalhistas terão de escolher entre adaptar-se ou fechar.

Para muitas empresas portuguesas, a sua viabilidade depende, cada vez mais, de mercados externos, para onde exportam produtos e bens, muitos deles para o cliente final. Mercados globais como os referidos, mas também o Japão, a Índia ou a Rússia estão na “mira” ou já constam do “balanço”.

Importa, por isso, perceber a evolução macroeconómica do setor do retalho para o resto deste ano e para o próximo, numa análise trazida aqui pela Euler Hermes (EH), acionista da COSEC, especialistas em seguro de créditos, no âmbito do estudo Retail, Disrupted – Pressure and Potential in the Digital Age.

Começamos pelo outro lado do Atlântico. As vendas nominais do retalho nos Estados Unidos subiram +3% (face ao ano anterior) e deverão acelerar em 2017-2018, devido ao crescente consumo das famílias e ao poder de fixação de preços no retalho. Contudo, uma subida nos custos com as importações poderá impactar os retalhistas. Serão necessárias estratégias de diferenciação para aumentar as margens e será necessário sobreviver a um ambiente de elevada incerteza, com os estabelecimentos a abrirem falência a uma velocidade inédita. O segmento das mercearias foi, até agora, poupado a este impacto, ao contrário do que aconteceu no segmento do vestuário e aparelhos eletrónicos, as principais vítimas das falências e restruturações. Os retalhistas norte-americanos deverão focar-se no fornecimento de experiências para o cliente baseadas na qualidade e na inovação, e em formatos de entrega disruptivos, num mercado onde 70% dos clientes compram online.

No Brasil - mas também na Rússia -, o setor do retalho está desatualizado, com os grandes grupos retalhistas a sofrerem estruturalmente e financeiramente. A entrada no mercado de novos operadores ou uma maior pressão dos consumidores é limitada. Isto poderá ser uma boa notícia disfarçada - os retalhistas têm uma capacidade limitada para enfrentar a mudança devido às restrições estruturais. As vendas do retalho estão a deslizar para o território negativo à medida que o Brasil sai da recessão, devido ao aumento flagrante do desemprego. Dadas as baixas expectativas para o consumo, a situação não deverá melhorar em 2017. Os segmentos do vestuário, alimentar e farmacêutico demonstraram resiliência. O dos aparelhos eletrónicos é o que está em maior risco, tendo começado o ano com um alarmante endividamento de 300%, e baixos lucros de 2,9 por cento.

Em mercados mais longínquos, a Oriente, como no Japão, as vendas dos retalhistas continuam a crescer desde outubro de 2016, apesar de ainda se encontrarem num território negativo. No entanto, o envelhecimento da população provoca um abrandamento da despesa dos consumidores. As receitas do setor desceram de 6% em 2013 para 5% em 2016. As lojas de conveniência e agentes online são os subsetores menos sensíveis. Já o retalho generalista e os artigos de casa/escritório apresentam um posicionamento muito menos atrativo.

Os retalhistas chineses e indianos estão conscientes dos benefícios da digitalização, mas as barreiras à entrada no mercado estão bem guardadas pelos grandes grupos. Os retalhistas mais astutos e com bons conhecimentos da digitalização estarão mais aptos a conquistar quotas de mercado significativas.

Na China, a partir de 2017, as vendas dos retalhistas deverão estabilizar num crescimento de +9%, ligeiramente abaixo da média de dois dígitos definida para o longo prazo. Os retalhistas estão a apostar numa estratégia online-to-offline para alavancar oportunidades oferecidas pela ascensão de uma nova classe média. Os retalhistas online e do segmento eletrónico deverão aproveitar a tendência, enquanto o segmento de luxo enfrentará uma restruturação, impactado pela política contra a ostentação.

Na Índia, as vendas dos retalhistas estabilizarão num crescimento de +3%/+4%, devido a uma forte procura e políticas governamentais flexíveis. O segmento alimentar beneficiará de um efeito de volume, com a subida da despesa dos consumidores. Os lucros da moda alcançarão os 7,9% em 2016, face a uns modestos 2% por parte do retalho generalista.

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